Espaço na multidão? É preciso se debater!

Por Patrícia Iglecio

Centro da cidade de manhã. O sol brilha forte, mas um pouco frio. Dia bonito. O Teatro Municipal sempre belo. Cheiro de mijo. “Ministério do Trabalho!”, gritava repetitivamente um homem. Naquela avenida, alguns ônibus elétricos e os entregadores de pães andando de bicicleta. A prefeitura. O prédio ocupado em frente à prefeitura e o cartaz ‘Haddad, queremos moradia!’.  Uma senhora andando com uma boneca no colo envolta por um cobertor. Uma outra mulher, sem olhos, sentada em seu banquinho com um potinho para receber trocados. Um filho da puta olha para mim e solta: “Hum, gatinha!”. A Rua São Bento sempre tumultuada.

no centro

por Jay Viegas

Na hora do almoço piora muito. É preciso lutar, se debater e ganhar espaço pra atravessar a multidão, que agora desce dos altos prédios de escritórios para comer. Empresários e empresárias, vendedores: todos querem espaço. Na Avenida São João algumas bandeiras vermelhas indicam que prédios foram ocupados pelo povo. Hippies vendem seu artesanato. Policiais, policiais, e mais um monte deles. Às vezes levam alguém na viatura. Às vezes é um vendedor ambulante, às vezes é deus sabe lá quem. Eu tomo meu ônibus e volto para casa. No centro tudo recomeça amanhã de manhã.

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