Preso pela GCM, o grafiteiro Enivo recebe apoio do coletivo Imargem antes de audiência decisiva

Por Paulo Motoryn

O grafiteiro Enivo atua há mais de 15 anos espalhando arte pelos muros de São Paulo. Ele foi recebido pela Revista Vaidapé na última quinta-feira (17) e afirmou que, desde que começou a arriscar seus primeiros traços,  a cena do graffiti na cidade mudou bastante. “As intervenções urbanas vêm sendo mais aceitas”, afirmou. Mas ele admite: o atual cenário é repleto de contradições.

A ascensão da arte de rua, sua glamourização e ida às galerias contrasta com um cenário de constante perseguição, criminalização e preconceito contra os grafiteiros que ousam realizar sua manifestação artística.

Enivo vive a ambiguidade na pele. No fim do ano passado, participou de uma ação de grafitagem registrada pelas câmeras da maior emissora de televisão do país, a TV Globo. Dias depois, era retratado como bandido no noticiário do telejornal local, da mesma emissora.

O episódio aconteceu na madrugada do dia 2 de janeiro, na Avenida São João, centro de São Paulo. “Fui flagrado pelas câmeras de monitoramento da Guarda Civil Metropolitana pintando meus graffitis. Eu estava procurando lugares ociosos da cidade, lugares que mereciam uma arte. Escolhi um lugar escuro onde pessoas cagavam e fumavam pedra, (havia) crianças naquela hora da magrugada, estavam com fome e pedindo esmola. Era um lugar deprimente, por isso escolhi fazer minha arte ali. Nenhum desses fatores chamou a atenção da polícia”, ele lamenta.

Foto: João Miranda

Mauro e Enivo no quintal do C.O.P.A. 412 (Foto: João Miranda)

Enivo, então, foi levado ao Distrito Policial, onde passou toda a madrugada. No dia seguinte, era personagem principal de uma matéria do SPTV, apresentado pelo jornalista César Tralli. Após o bombardeio da Globo e uma forte reação contra sua prisão nas redes sociais, na próxima segunda-feira ele será submetido a uma audiência decisiva para a tramitação legal do processo.

Em solidariedade, o grafiteiro Mauro Neri, integrante do coletivo Imargem e grande nome da atual geração de artistas de rua da cidade, saiu em defesa do companheiro. Ao lado de Enivo, Mauro grafitou o muro de entrada do Centro Ocupado de Produção Alternativa 412, na zona oeste da cidade, e falou sobre a criminalização da arte.

“O espaço para fora das casas, da propriedade privada, é de todo mundo. A quem pertence os muros da cidade? A quem pertence os muros administrados por prefeituras, estados, ou mesmo pelas empresas? As portas de aço, os muros cinzas, cor de concreto, escurecem as noites da cidade”, argumenta Mauro, militante da ocupação dos espaços públicos, em defesa de Enivo.

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