Vagão exclusivo para mulheres é proteção ou retrocesso?

Na sexta-feira, 18 de julho, os Advogados Ativistas foram os últimos convidados da versão matinal do Vaidapé na Rua. Neste dia 25, já em novo horário, militantes de diferentes correntes do movimento feminista discutiram a implementação do vagão exclusivo para mulheres em horários de pico

Da Redação

Distante da repercussão que têm os grandes monopólios de comunicação, tampouco de sua infraestrutura e publicidade, mas próximo das demandas e reivindicações da população e dos movimentos sociais nas discussões sobre as políticas sociais da cidade: essa é a realidade do programa Vaidapé na Rua, trasmitido pela Rádio Cidadã FM, iniciativa de comunicação comunitária do Butantã.

Em sua última transmissão nas manhãs de sextas-feiras, horário em que o Vaidapé na Rua era transmitido desde o fim do ano passado, no último dia 18 de julho, os Advogados Ativistas, grupo relevante no cenário das mobilizações políticas, foram recebidos pela equipe da Vaidapé no estúdio da Rádio Cidadã e discutiram o legado da Copa do Mundo e a suspensão de direitos civis relacionados à realização do evento no Brasil.

Nesta sexta-feira, dia 25 de julho, já ocupando as frequências da rádio em novo horário, às 15h, mas no mesmo dia da semana, o Vaidapé na Rua promoveu um debate sobre o Projeto de Lei que tramita nas casas legislativas para implementação do vagão exclusivo para mulheres em horários de pico no Metrô de São Paulo. A iniciativa é polêmica e divide opiniões até mesmo dentro do movimento feminista.

vagao exclusivo

Para elucidar as contradições que tornam o Projeto de Lei tão controverso, as convidadas do programa foram Isadora Szklo, integrante do coletivo RUA – Juventude Anticapitalista, e Letícia Pinho, da ANEL – Assembléia Nacional dos Estudantes Livre e do Movimento Mulheres em Luta (MML). As duas militantes explicitaram as duas visões disitintas que cercam o debate. O vagão exclusivo para mulheres, afinal, é uma medida válida de proteção aos assédios ou significa um retrocesso?

Isadora apresentou a posição do RUA em relação ao projeto: “O vagão rosa não é uma medida educativa, nem paliativa. O projeto engessa o debate e mascara o que realmente acontece. E ainda há um problema central. E os travestis, trans e pesoas não-binárias? Como essas pessoas vão entrar nos vagões? Para o homem trans também é uma situação muito complicada”, afirmou.

A culpabilização da vítima, bem como a privação de determinados espaços públicos para a mulher também foram pontos abrodados na argumentação de Isadora. Ela disse ainda que a medida significa um retrocesso político.

Letícia, por outro lado, defende a implementação do vagão exclusivo para mulheres nos horários de pico, mas afirma que tem algumas críticas ao Projeto de Lei proposto em São Paulo, principalmente pela falta de participação popular. Ela deixa claro também que a medida é protetiva e deve vir acompanhada de mais eficiência na investigação e punição dos abusos sexuais, bem como de iniciativas educativas.

A militante da ANEL e do MML ainda fez uma provocação: “Vocês repararam que não usei o termo “vagão rosa”? É pejorativo, pois não é por isso que lutamos. Eu nem vejo a necessidade do vagão ser de uma cor diferente”, disse Letícia.

Para ouvir o programa na íntegra, acompanhe a Revista Vaidapé no Facebook que os programas serão disponibilizados. Na próxima sexta-feira, novamente às 15h, tem mais Vaidapé na Rua na Rádio Cidadã FM.

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