Boleiros refugiados em São Paulo se reúnem para outra Copa do Mundo

O centro de São Paulo recebe uma Copa bem diferente daquela que muda a grade da TV brasileira a cada quatro anos. Forçados a sair de sua terra natal, os novos brasileiros se juntam em torno do futebol – com os velhos brasileiros

Por Victor Santos

No final de semana, dias 2 e 3 de agosto, acontece a Copa dos Refugiados com 16 times, de países diferentes, para jogar bola na terra de Rivelino. As 15 partidas acontecem no centro: Comunidade Novo Glicério, rua Frederico Alvarenga, 391, Sé. Os jogos vão de 8h à 17h e ninguém paga pra participar.

Confira o teaser:

A ideia surgiu de Sandro Kakabadze, um refugiado georgiano que, além de organizar a Copa, produz um documentário sobre a condição dos refugiados. Conta que o torneio foi pensado com o intuito fortalecer a união entre aqueles que foram forçados a sair de seus países.

“O refugiado sai (de seu país) por causa de algum perigo, como guerra ou alguma questão política. Trabalhamos só com refugiados”, explica.

Seleções de países afetados por conflitos armados e crises humanitárias como Síria, Colômbia, Mali, Afeganistão, Serra Leoa, Paquistão e República Democrática do Congo vão entrar em campo.

Copa dos Refugiados

(Foto: Copa dos Refugiados)

Atualmente cerca de 5,2 mil refugiados (reconhecidos), de 80 nacionalidades diferentes, residem em solo brasileiro, 34% são mulheres. Não houve nenhum tipo de restrição para a formação de times femininos, mas não foi possível formar uma equipe.

Os brasileiros não ficam de fora do evento, afinal, “Com brasileiros, porque queremos ser brasileiros também, então todos os juízes são brasileiros, temos muitos voluntários, pessoal chegou e quer ajudar”, conta Sandro.

O futebol é central, mas também , paralelamente, atrações culturais, e ações de prevenção e combate à violência de gênero e AIDS, por meio das campanhas da ONU “O Valente não é Violento” e “Proteja o Gol”.

Confira o hino da Copa:

O evento conta com o apoio da Caritas Arquidiocesana de São Paulo, do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), da ONU Mulheres, do programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) e da Cruz Vermelha Brasileira (filial São Paulo), além de entidades privadas, religiosas e de organizações da sociedade civil, como a ONG IKMR e o Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas sobre Futebol e Modalidades Lúdicas (Ludens).

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