Três visões americanas do confronto em Gaza: O Governo

 

(Charge: Carlos Latuff)

(Charge: Carlos Latuff)

Por Thiago Gabriel, de Nova York

O governo dos Estados Unidos e a ONU acreditavam ter resolvido o conflito de Gaza. Os ataques dos dois lados já somam 29 dias e provocaram a morte de mais de 1700 pessoas. As baixas, desproporcionalmente maiores do lado palestino, vitimaram milhares de civis na região.

O Secretário de Defesa norte-americano, John Kerry, anunciou, no dia 31 de julho, o acordo de cessar-fogo, aceito por todas as partes. Horas depois de seu início, ataques aéreos e terrestres voltavam a assombrar Gaza.

Israel alegou que a morte de dois soldados do país, e o sequestro de um terceiro, motivaram a quebra do acordo. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirma que as operações irão continuar incessantemente até que os objetivos de Israel, de destruição dos túneis do Hamas e desmilitarização dos palestinos, sejam atingidos.

Algumas horas depois, John Kerry aparecia novamente para uma entrevista coletiva. No encontro, voltou a declarar o apoio estadunidense à Israel e condenou os “atos terroristas”, creditados ao Hamas, liderança islâmica na Palestina.

No mesmo dia, o presidente Barack Obama chamou os jornalistas à Casa Branca para um anúncio oficial. Iniciou enumerando as conquistas de seu governo, e teceu críticas ao Partido Republicano. Uma grande oportunidade para a publicidade, visto que as emissoras transmitiam ao vivo suas palavras, esperando um pronunciamento sobre Gaza.

Na sequência, Obama passou a responder perguntas dos jornalistas. Como não poderia deixar de ser, quase todas buscavam ouvir o posicionamento do líder referente a quebra do cessar-fogo.

Seguindo o exemplo de Kerry, o presidente reafirmou o compromisso com Israel. Segundo ele, o país possui todo o direito de “defender-se”, especialmente frente a “ações de terroristas”.

Se depender do governo americano, Israel não terá problemas em cometer seguidas violações aos direitos dos palestinos, especialmente no que diz respeito à morte de civis. É como forma de defesa que a Casa Branca enxerga os massacrantes ataques à Gaza.

Soma-se a isso o interesse norte americano em enfraquecer e até extinguir lideranças islâmicas, como o Hamas. Como já mostrou em outras situações, Obama e seus antecessores enxergam tais grupos como ameaças à ordem mundial. Isso ocorre devido as conquistas políticas desses nos países do Oriente Médio, muitas vezes com propostas desalinhadas aos interesses comerciais e políticos dos Estados Unidos.

A proximidade com Israel, por outro lado, é clara e explícita. O país é o grande parceiro e canal de influência de maior importância dos Estados Unidos no Oriente Médio. Israel recebe repasses financeiros e militares dos norte-americanos e conta com apoio declarado do governo Obama e seus antecessores na questão referente ao pertencimento do território.

Logo, não parece difícil convencer o americano médio da necessidade de apoiar Israel na batalha que, ao redor do mundo é observada e classificada por muitos como um grande massacre genocida.

Porém, como todo bom estadista, Obama não deixou de lado sua maquiavélica face humanitária. Afirmou que todos os esforços estão sendo feitos para reduzir a morte de civis palestinos.

A declaração, no entanto, é contraditória às ações do governo americano, que segue enviando armamentos a Israel. Não é difícil associar a munição financiada pelos EUA com as mortes em Gaza, dada a estratégia israelense de bombardear incessantemente e aleatoriamente a região.

A ofensiva de Israel sufoca um pedaço de terra que possui o maior adensamento populacional do mundo, aprisionando civis palestinos em uma área na qual bombas são jogadas como dardos no tiro ao alvo.

Para Obama, o dever dos Estados Unidos é continuar interferindo em conflitos internacionais para garantir o que é “certo”. Isso porque o que caracteriza a política externa do país, em sua opinião, é o fato de “tentar, aonde outros países decidem não tentar”.

O presidente ainda contestou a racionalidade dos líderes internacionais que não seguem as diretrizes americanas para resolução de problemas. E afirmou o esforço de seu governo em seguir orientando a política interna e externa de outras nações.

O governo norte-americano aparenta estar na posição em que se sente mais confortável internacionalmente. Com seu território livre de quaisquer ameaças previsíveis, especialmente desde que instaurou a campanha anti-terrorismo e encrudeceu as relações com o Oriente Médio. Assim, busca interesses, exercendo seu imperialismo sob os conflitos internacionais.

Esta é a política externa do governo norte-americano. Transmitido de maneira alta, clara e ao vivo para todo o mundo, que segue com pernas abertas ao imperialismo da “nação mais poderosa do mundo”, segundo o próprio Obama.

Confira também: Três visões americanas do confronto em Gaza: A Mídia

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