Em debate na USP, presidenciáveis defendem legalização da maconha

Associação Cultural Cannábica promove debate com presidenciáveis e mostra que a legalização da maconha é um passo fundamental para o direito democrático da sociedade.

por Bira Iglecio

Em época de eleições presidenciais, assuntos considerados polêmicos costumam ser ignorados, tanto pela mídia, como pela maioria das campanhas presidenciais. Na terça-feira, 5 de agosto, a Associação Cultural Cannábica de São Paulo promoveu o debate “Maconha e Eleições – A ousadia que faz a diferença”, na faculdade de Direito da USP, no largo São Francisco. O evento contou com a presença de alguns candidatos à presidência da república, tais como Rui Costa Pimenta (PCO), Eduardo Jorge (PV) e a vice, Claudia Durans (PSTU), representado o candidato Zé Maria. Além deles, Luciana Genro (PSOL) não pode comparecer, mas enviou uma carta reforçando a importância do debate. Os candidatos Eduardo Campos (PSB), Aécio Neves (PSDB) e Dilma Roussef (PT) não compareceram – nem responderam o convite.

O debate mediado por Fernando Da Silva, apresentado como Profeta Verde, foi dividido em seis blocos, com questões acerca da legalização e regulamentação da maconha. A opinião dos três candidatos foi unânime pela legalização da maconha, divergindo no processo de regulamentação.

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(Foto: Julia Mente)

Claudia Durans, em sua apresentação, comentou o caso da Faixa de Gaza, chegando a pedir que Dilma rompa imediatamente as relações com Israel: “Não poderia começar esse debate sem trazer esse tema, o mundo está presenciando um verdadeiro massacre daquela população em gaza”, enfatiza.

Já Rui Costa Pimenta ressaltou a posição do partido em relação ao tema do debate: “O PCO há muito tempo defende a legalização em geral das drogas, não apenas da maconha. O problema moral não deve ser transposto para a legislação”. Por fim, encerrando o primeiro bloco, Eduardo Jorge, médico e sanitarista, se apresentou criticando a Convenção de 1961 e a posição proibicionista do Brasil: “É uma questão que interfere na vida social e coexige uma importância intersetorial, pois afeta várias políticas públicas.”

Após a apresentação, todos os candidatos comentaram a questão do uso medicinal da maconha e mostraram solidariedade com o caso de Ras Geraldinho, líder Ras Tafari condenado por 14 anos de prisão, acusado de plantar maconha para fins religiosos.

Para Rui Costa Pimenta, o maior problema da ilegalidade é a inviabilidade do esclarecimento e o uso da maconha medicinal é de extrema importância. O candidato ressaltou ainda a questão da regulamentação: “As propostas surgem de um cenário paradisíaco. Devemos lembrar que as pessoas que farão essa regulamentação são os políticos corruptos comprados por grandes empresas(…) Muitas vezes é melhor nenhuma regulamentação do que uma regulamentação por um estado, evidentemente, criminoso e refém do grande capital. A regulamentação real pode ser feita pela própria população.”

Claudia Durans reforçou que a legalização da maconha deve visar o controle estatal e sugeriu que outras substâncias, como o álcool e o tabaco, devem sair das mãos dos grandes empresários.  A candidata considera que a legalização da maconha, do aborto, dentre outras políticas políticas públicas, é apenas uma fase de transição para uma sociedade onde aconteça reformas mais profundas. “Lutamos pelo fim da guerra às drogas, porque a situação que vemos hoje nas prisões é – basicamente – a criminalização da pobreza, pois as pessoas chegam ao tráfico por motivos sociais e econômicos do país”, afirma.

Um pouco mais cauteloso quanto a regulamentação da maconha, Eduardo Jorge comentou que estatizar a erva pode estimular o aumento do consumo, e que a produção pode ser individual, com o plantio, cooperativa, empresarial, ou, até mesmo, estatal. “O estado deve tratar de dar informação à população. Deve haver restrições, mas vale o ditado popular, até mesmo para as leis – tudo demais é veneno.”

O debate terminou com os candidatos afirmando todo o apoio aos movimentos sociais que lutam pela legalização da maconha e demonstrando disposição em ajudá-los. Mesmo com a inexistência de uma oposição acerca do objeto de debate, os presidenciáveis mostraram que o tema precisa ser cada vez mais discutido, reforçando a importância de espaços de debate sobre a maconha e outras drogas.

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