Familiares e amigos pedem investigação do assassinato de pichadores

Na noite desta quinta-feira (07), centenas de pessoas caminharam até a Secretaria de Segurança Pública, cobrando esclarecimentos sobre a morte de Jets e Anormal.

Foto: Kauê Palloni

Foto: Kauê Palloni

Por Iuri Salles

O grupo de familiares e amigos de Alex Dalla Vecchia Costa (Jets) e Aílton dos Santos (Anormal) partiu por volta das 17h da Galeria Olido, no centro de São Paulo, e caminhou até o prédio da Secretaria de Segurança Pública do Estado. O objetivo era pressionar o secretário Fernando Grella a prestar satisfações.

Os dois homens foram assassinados no dia 31 de julho em um suposto confronto com a Polícia Militar, no interior de um prédio na Zona Leste da cidade. Os policiais sustentam a versão que os dois pichadores estavam armados e receberam os policiais a tiros. Um dos policiais ainda teria sido ferido no braço.

Os familiares negam que Alex e Aílton fossem assaltantes ou estivessem armados e acusam os policiais de terem executado os dois homens. “Ele era pichador mesmo, mas era trabalhador. Não era ladrão, sempre priorizou os filhos” disse Franklin Dalla Vecchia. Seu irmão, Alex, trabalhava como marmorista e Aílton era esperado pelo chefe para trabalhar na desmontagem de um evento em Santo Amaro.

“Ei presta atenção, a farda é suja e não terá nosso perdão”, cantavam os amigos e familiares das vitimas. O sentimento entre eles era de revolta, tendo como principal alvo a Polícia Militar. “Atenção a maioria dos confrontos com a PM são forjados” dizia um dos cartazes. Durante o ato foi respeitado um minuto de silêncio e foi rezado o “Pai Nosso”.

Durante o ato, os quatro policiais envolvidos – os cabos Aldilson Segalla e André Figueiredo o sargento Amilcezar Silva e o tenente Danilo Matsuoka – eram transferidos da Corregedoria, onde já cumpriam prisão administrativa, para o Presidio Militar Romão Gomes. Lá, cumprirão prisão administrativa temporária de 30 dias.

Cada um dos policiais se envolveu em pelo menos mais duas mortes em inquéritos diferentes, segundo a Corregedoria, mas esta não nega a versão do boletim de ocorrência, de que houve troca de tiros, mas julga incorreta a conduta dos PMs.

Os manifestantes prometem voltar a realizar a passeata todas as quintas-feiras, até serem recebidos por Fernando Grella Viera, Secretário de Segurança Pública. O ato foi organizado pelas redes sociais e não contou com o apoio de nenhum movimento social. A família informou que tanto o DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) quanto a Corregedoria já entraram em contato para esclarecer o caso.

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