Trocas e estátuas inacabadas e sucata e outra noite no bar.

por Matheus Bagaiolo Raphaelli

e talvez assim muitas coisas são como são.

eram 0.25, 0.50 e 0.10

nessa ordem as juntei por tédio
a profundidade se perdeu por instantes quando coube firmar meus olhos de frente à lateral do conjunto tornando-as como um anel

(pausa)

era uma sucata pobre e suja pelos bolsos e dedos infinitos que pronunciava talhada na lateral de todo seu percurso em círculo reciclado e metálico ordem e progresso*Brasil*

uma aliança e seus nomes de juras redigidos ao lado de fora
nesse sempre outro momento
era isso

(pausa)

desmantelei o aglomerado de novo entediado
troquei os 0.50 por tempero e algodão enrolado num papel com fósforo nomeado por tinta a marca do cretino

friccionei uma pedra em outra e apertei a válvula do gás

… troquei o tempero e algodão enrolado num papel com fósforo nomeado por tinta a marca do cretino por uns farrapos carbonizados sumindo no vento como se houvesse grandeza num segundo demolido em seus milésimos e assim por diante e diante e

é isso que também chamamos de prazer

haha

eu e minha cerveja resolvemos esticar as pernas no lado de fora do bar

no buraco da noite mais um latido a ser reparado e ignorado caminhava sem rumo pela cidade sempre desperta e tensa devido o sono e o instinto

… levantei

e pela rua de orvalho ácido um poço de gente trocava conversa

trocamos vidas e espelhos estranhos como chapados naturalmente trocam seringas repletas de morfina

no alto de nossas cabeças os postes relatavam as penumbras e os reflexos de sorrisos que brandiam-se pelo ar submergido na madrugada
subjetivamos nossos dentes acoplados e soerguidos para fora dos lábios como a própria comparação entre céu sei lá o que e inferno quente pra caralho

bebi mais um gole me sentindo bem em descansar na multidão sozinho
sorri
e anotei sob risos nítidos de gorila acuado

ninguém ia sorrir se houvesse a plena felicidade
muito menos teríamos comerciais despejando cores como granadas e estilhaços
apenas fincaríamos nossos pés como chão no primeiro momento de paz e nos suportaríamos como estátuas
e como sobreviventes pompeianos da larva em relógio pressionaríamos nossos dedos no conjunto de moedas até vestirmos a sucata e suas leis
mas no fim
nunca conseguiremos vestir merda nenhuma
nada.

e aqui estou numa mão com um copo de vidro vagabundo sempre acabando e folhas noutra mão para continuar a repetir os roubos já escritos milhões de vezes.

Por: Flávio Siervo

Por: Flávio Siervo

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