café expresso- 25 de agosto de 2014

  Por: Matheus Bagaiolo

era uma manhã fria e com um pouco de chuva.
o piso tava molhado e o líquido do piso tava sujo. a chuva não era exatamente observada numa sala vermelha com poltronas. as gotas eram uns riscos magros difundindo o aspecto de um infinito tépido na cidade e suas paredes.
não como um conto de terror. apenas uma breve percepção de musgo.
haha
não estamos falando de trovões e cemitérios malditos.
onde essa porra toda começou?
no fundo da rua tinha um poste com o nome das travessas e um pombo tentando sair do chão. se retorcia pela coordenação enquanto cavava o chão com o rosto. tava nitidamente por um fio até o momento que ele
desistiu
ainda vivo
com a chuva na cara escorrendo seu tecido pelo chão.
(pausa)
eu precisava de um café. três ferros faziam um cone com sua base à frente. surgiam da boca de um balde de ferro. rodeei junto às barras de ferro que fizeram algo como claquete. três vezes.
cláquetecláquetecláquete e me deparei com um sujeito nuns traços liquefeitos. era a parte do café que misturava-se com o líquido em si.
a máquina não.
ele resmungou um bom dia enquanto umas rugas flácidas amontoavam seu rosto num troço. enquanto preenchia as xícaras revezava com a pia uma enorme faca. com sua mão ele a manuseava vagarosamente e esporadicamente lhe afiava na pedra do balcão.
na pia ela ficava parada junto ao corredor onde os pratos escorriam tilintando.
me sentei.
uma mulher com um vapor admiravelmente interessante era servida. encostou seus lábios no grosso vidro e serviu-se de suco de laranja. o suco deve estar passando por sua garganta.
(pausa)
o suco acabou. ela se levantou. pegou seus olhos em cima da mesa. pegou seus dentes e uma de suas macias mãos. no balcão ao lado outra máquina resmungava silenciada pelo isolamento fosco e engordurado entre os clientes e funcionários. ela foi enquanto um 
vruuuuuuuuuuuuuuuuuuu mornamente se talhava dono do recinto. respirando esse vruuuuuuuuuuuuuuuuuuu motorizado e mais alguns sucos estavam prontos. as frutas rolavam por tubos. fatalmente eram espremidas e ejetadas em restos de cascas num lixo abarrotado de cascas.
o copo vazio ficou na mesa.
refletia uns feixes de luz. caminhávamos numa gaiola transparente. um largo ermo sem profundidade.
os feixes estavam presos nas definidas deformações do vidro e não parecia que sairiam dali tão cedo.
ei, irmão, me traz uma xícara grande de café?
mais alguma coisa?
não. valeu.
o garçom já ia indo.
SEM AÇUCAR, PELO AMOR DE DEUS!
mais alguma coisa?
não. valeu.
(pausa)
essa foi por pouco.
(pausa)
bebi o café.
reparei que a cada 3 minutos e algo próximo de 23 segundos o homem de traços liquefeitos caminhava pelo ambiente com sua enorme lâmina e seus sapatos de madeira.
tac tac tac tac
tac tac
tac tac
tac
tac
tac
tac
tac
apalpou seu avental manchado por um vinho velho. apoiou sua mão com sua enorme faca em minha mesa e ficou imóvel. carregava um riso doentio e de certo modo inocente. o reflexo na lâmina enquadrava meu rosto deformado. observei meu rosto e
por quê raios o tempo passa e a merda do café piora?*
não sei. eu vou te fazer um bom café. sem ajuda.
minutos depois
jesus, esse cara acertou nessa xícara de café puta merda!
agradeci e ele escorreu mudo pelo ambiente.
(pausa)
o copo vazio ainda tava na mesa ao lado. bebi o meu café.
o corpo vazio ainda tava ao lado.
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 por: Pedro Mirilli
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