Carta aberta e mente fechada – novamente sobre antissemitismo e Israel

O médico Abdel Latif Hasan Abdel Latif, palestino que reside atualmente em São Paulo, posiciona-se em relação aos conflitos em Gaza através de cartas abertas ao público

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Foto: Basel Yazouri/Guerrilha GRR

Por Abdel Latif Hasan Abdel Latif

O website PLETZ.COM, que se autodefine como  site da comunidade judaica no Brasil, publicou, no último dia 22, uma “Carta aberta à opinião pública anti-Israel e antissemita”.

O autor Abraham Shapiro repete as mesmas falácias do sinonismo.

Começa sua carta afirmando que “Por mais de três milênios, a opinião pública mundial voltou-se contra nós, judeus. Em pleno século XX, na antiga União Soviética, Stalin tentou nos destruir” e segue afirmando a ameaça de Hitler na Alemanha.

As palavras de Shapiro são falsas, anti-históricas e integram a propaganda sionista, que tenta convencer os judeus que o mundo está “contra nós”:  comunistas, alemães, europeus, árabes e agora, os brasileiros.

Stalin tentou destruir os judeus?  Quando? Onde? Como?

A carta de Shapiro não tem resposta.

De fato, Stalin matou milhões de camponeses ucranianos, russos, poloneses, chechenos, ingushes, tchecos, padres, escritores, intelectuais etc. Houve vários expurgos, mas a História não registrou que Stalin tentou destruir os judeus. Pelo contrário, na antiga União Soviética, a punição contra antissemitismo era morte.

Foi Stalin  quem reconheceu Israel dias após sua auto-proclamação.  Foi Stalin quem ordenou a Tchecoslováquia a fornecer armas para os grupos terroristas judeus em 1948. Essas armas foram essenciais para a realização da limpeza étnica e massacres contra os nativos palestinos.

Repete-se  que Hitler tentou destruir os judeus, mas não os sionistas. A organização sionista mundial, em 1933,  assinou o acordo HAVARA – transferência, com os nazistas.

Enquanto o mundo inteiro fazia campanhas de boicote contra a Alemanha nazista, a cúpula sionista colaborava com aquele regime.

O acordo garantiu que os judeus ricos poderiam vender suas propriedades na Alemanha e imigrar para a Palestina. Milhares de ricos judeus alemães imigraram e milhões de marcos foram injetados na economia do Yishuv (comunidade judaica na Palestina antes de 1948).

Hitler tentou destruir os judeus na Alemanha, mas com a cooperação sionista.

Ben Gurion declarou em 7/12/1938, perante os dirigentes sionistas, que “se soubesse que era possível  salvar todas as crianças judias da Alemanha, trazendo-as para a Inglaterra, ou somente a metade, transportando-as para Eretz Israel, escolheria a segunda opção” (Zionism Policy and the fate of european jewry, de Yvon Gelbner).

Os sionistas sacrificaram a vida dos judeus pobres no altar do  nacionalismo judaico, chamado pelo filósofo judeu Moshe Menuhim,  como “monstro do nosso tempo”.

Shapiro continua na sua carta: “Apesar da sua ação militar na faixa de Gaza ser uma defesa legítima contra abusos e provocações terroristas assíduas, durante anos, o mundo novamente multiplica opiniões contra Israel”.

Os líderes sionistas estão muito preocupados e com razão. A máscara das eternas “vítimas” está caindo e por trás delas, o mundo começa a enxergar a  fealdade de Israel e do sionismo.

Quando os sionistas expulsaram oitocentos e cincoenta mil palestinos  nativos e destruíram mais de quinhentas aldeias e cidades palestinas, em 1948, não estavam se defendendo, mas construindo um gueto exclusivo aos judeus, na terra e às custas de outro povo.

Quando Israel ocupou Gaza, Cisjordânia, Sinai e colinas de Golan, em 1967,  não estava se defendendo, mas expandindo suas fornteiras, conforme inequivocamente demonstraram os arquivos e depoimentos militares israelenses  abertos recentemente.

Quando Israel constrói muro em território palestino e edifica assentamentos ilegais com supremacia e exclusividade judaica em territórios palestinos e transforma as cidades palestinas em bantustões, estrangulando a economia e possibilidade de um Estado palestino, não está se defendendo, mas tentando perpetuar sua ocupação ilegal na Palestina.

Quando Israel mata milhares de civis, inclusive centenas de crianças, quando destrói milhares de casas, fábricas, templos, escolas, estação de energia e água e esgoto,  quando aprisiona, sem sequer acusação, milhares de palestinos e inclusive centenas de criancinhas,  não está se defendendo, mas de fato, está matando qualquer possibilidade de  paz com os palestinos.

O mundo começa a perceber a verdade sobre Israel: último colonialismo que tenta manter sua ocupação, opressão e racismo, a qualquer custo.

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Foto: Basel Yazouri/Guerrilha GRR

Shapiro afirma que o antissemitismo se prolifera a velocidade e índices não vistos desde a II Guerra Mundial.

Uma das justificativas que os sionistas usam para a criação do Estado judeu é que essa seria a única maneira de combater o antissemitismo e esse Estado seria o porto seguro para os judeus do mundo.

Israel, com suas políticas baseadas na tese de supremacia racial, e suas tentativas constantes de exterminar os nativos da Palestina, vive em perpétuo estado de guerra.

Israel é o lugar menos seguro e menos salubre para os judeus do mundo. Israel, hoje, é a principal causa de antissemitismo. O que deveria ser a solução se transformou no dilema para os judeus e a humanidade. O que a opinião pública internacional condena são os crimes cometidos por Israel, que são crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Os sérvios foram atacados pela OTAN por crimes de menor duração que Israel cometeu e comete contra todos seus vizinhos.

Israel que se autoproclama porta-voz de todos os judeus do mundo, reforça a tese dos antissemitas no sentido de que os judeus não têm fidelidade a seus países de origem, são meros hospedeiros e que têm lealdade apenas a sua tribo ou raça, certo ou errado.

Israel, desde sua criação, desrespeitou todas as resoluções da ONU e  da Corte Internacional de Haia, mas até hoje ainda não foi punido pelos seus atos.

Mesmo assim, os sionistas continuam a gritar que o “mundo está contra nós”.

Já é passada a hora de se olhar no espelho e descobrir porque o mundo está contra Israel e seus característicos e assíduos crimes.

Shapiro conclama “Que venham os novos Stalin e os novos Hitler”.

Ele está procurando por Hitler nos povos errados.

O professor judeu  Yeihayahu Leibovitch, considerado um dos últimos grande profetas judeus da atualidade,  foi o primeiro a comparar Israel com a Alemanha nazista. Foi ele quem, há 25 anos,  cunhou o termo judeonazista para descrever os crimes de Israel.

Há poucos meses, o maior escritor israelense, Amos Oz, chamou os colonos judeus que atacam os palestinos de neonazistas.

Há tempo, Hitler se reencarnou. Hoje, lidera governo, partidos e exército de Israel.

Shapiro termina afirmando que os judeus apenas estão se defendendo.

Israel e os sionistas têm um inimigo poderoso: a  Verdade.

Na luta contra esse inimigo, mesmo Israel não sairá vitorioso.

A verdade libertará!

 

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