Bárbara Sweet após Batalha do Santa Cruz: “Me atacar como feminista é uma péssima ideia”

Bastante conhecida no Duelo de Mc’s em Minas Gerais, Bárbara Sweet se destaca com grande estilo em sua primeira disputa na famosa Batalha do Santa Cruz, em São Paulo.

(Foto: Pablo Bernardo)

(Foto: Pablo Bernardo)

Por Carolina Piai e João Miranda

“Mc é compromisso e você não honra aqui, rapá
Então eu honro no seu lugar
Não importa o meu órgão sexual
Importa minha rima, acapella, o instrumental”

Assim profetizou a mineira Bárbara Sweet, na Batalha de rap do Santa Cruz, no último sábado (20). Seu freestyle conquistou o público de primeira, mas ganhou ainda mais fãs quando seu adversário Pasquim bradou que homens sofrem mais violência doméstica do que mulheres. A condição de gênero perpassou, então, toda a fala de Pasquim. A partir dessa premissa, a Mc mostrou à que veio.

“É a mulher que sofre violência doméstica
É a mulher que sofre violência estética
É a mulher que sofre violência do dia a dia
Você é branco e hétero, não sabe qual que é a da minoria”

No meio da empolgação do público, Sweet também afirmou, rimando, que não ganhou de Pasquim porque é mina, mas porque tem talento e porque lhe falta um bom conhecimento. A mineira, que tem três anos de experiência nos duelos em Belo Horizonte (MG), conta que durante um bom tempo foi a única mulher, mas ao se unir com outras Mc’s fizeram o coletivo #MinaNoMic, que “fomenta a participação das mulheres nesse espaço tão misógino que são as batalhas de rap.”

De acordo com o Mapa da Violência 2012 – Homicídio de Mulheres no Brasil, de 1980 a 2010 foram assassinadas cerca de 91 mil mulheres no país. Segundo seus dados, enquanto homens mortos em residência representam 14,7% dos incidentes, entre as mulheres o índice de assassinatos cometidos dentro de casa é de 40%. Talvez por números desastrosos como estes a sociedade ainda “aceite” o discurso machista e prepotente que a permeia.

Segundo Bárbara Sweet, “é comum certas ofensas em batalha, mas algumas coisas não são aceitas pela platéia. Hoje a maioria dos Mc’s já percebeu que me atacar como mulher e feminista é uma péssima ideia.”

A Mc, no desenrolar do freestyle, marcou presença na última Batalha do Santa Cruz, que acontece aos sábados, na estação do metrô de São Paulo de mesmo nome. O encontro existe desde 2006 e já faz parte da história de muitos rappers que hoje se destacam na cena musical, como Emicida, Projota e Rashid. Agora, esperamos que Bárbara Sweet se torne tão famosa quanto eles. Ela merece – não porque é mina, mas porque tem talento.

Se você não acha, então confere a Publicação da Bárbara Sweet com o vídeo que viralizou nas redes sociais!

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6 responses to “Bárbara Sweet após Batalha do Santa Cruz: “Me atacar como feminista é uma péssima ideia”

  1. Número total de homicidios a cada 100 mil habitantes de 1980 a 2010 1.091.125 (pag 18). Número total de homicidios femininos a cada 100 mil habitantes de 1980 a 2010 91.886 (pag 67). Acho que ja da pra entender a quantidade de homens e a quantidade de mulheres, além de perceber claramente que os 14.7% dos homens correspondem a mais casos que os 40% das mulheres. Sem contar com o “Assim, por exemplo, nos últimos dados disponíveis, correspondentes a 2010, dos 49.932 homicidios registrados pelo SIM, 45.617 pertenciam ao sexo masculino (91.4%) e 4.273 ao feminino (8.6%)” da página 66.

    • Por acaso você está insinuando que 140 mil homens foram assassinados pelas esposas em 30 anos contra 45 mil mulheres assassinadas pelos seus maridos? Os assassinatos em casa não correspondem a violência doméstica, por isso se usa os dados relativos. Se usa os dados relativos para demonstrar que 14% dos homens são assassinados por alguém íntimo (que conhece e tem acesso a casa) contra 40% das mulheres. Provavelmente nem 5% destes são decorrentes de crimes de violência doméstica, mas quer dizer que as mulheres estão quase tão vulneráveis na rua do que estão dentro das próprias casas, enquanto os homens, estão bem mais vulneráveis na rua. Eu acredito que a violência doméstica masculina esteja camuflada pela falta de denúncias. Mas, por exemplo, em casa éramos eu e meu irmão mais velho, nós dois apanhamos quando crianças, mas eu apanhei muito mais, pois apanhava dos meus pais e apanhava do meu irmão.

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