Judeus paulistanos se manifestam contra política de Israel

A manifestação a la flash mob em frente ao consulado israelita em São Paulo nessa quarta-feira (6) teve a intenção de mostrar que existe uma grande parcela da comunidade judaica que é contra as ações de Israel.

Por Guilherme Almeida / Fotos por João Previattelli

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Além de cartazes palavras de ordem como: “Eu sou judeu, não sionista, sou contra um estado terrorista” deram o tom do ato

Cerca de dez pessoas vestidas de preto em sinal de luto mostraram cartazes e leram nomes de palestinos mortos nos últimos bombardeios na região de Gaza. Um dos manifestantes esclareceu que além do ato se opor aos ataques recentes, ele também é contra o cerco militar na faixa de Gaza e outras posições do Estado israelense. Yuri Haasz, de 42 anos, que fez sua tese de mestrado sobre o conflito, afirma que é impossível separar a guerra de agora dos conflitos territoriais.

“Precisamos de vozes claramente judaicas se opondo a esse tipo de massacre em todos os lugares”, disse Yuri quando questionado sobre outros protestos similares em outros países, inclusive em Israel. O pesquisador explica que falta esclarecimento sobre a origem dos bombardeios. “A origem dessa violência é a política de expansão e ocupação de Israel que tem violado direitos de palestinos sistematicamente”, denuncia.

O consul Yoel Barnea não apareceu na entrada do prédio durante as duas horas de ato. De passagem, Rubem Daniel Duek, diretor da Federação Israelita do Estado de São Paulo, disse aos manifestantes que Gaza não está ocupada e que não existe genocídio por parte de Israel. Yuri Haasz retrucou falando do cerco militar e do número de mortos. O bate boca se estendeu até o estressado senhor Rubem perguntar: “vocês sabem o que fundamentalistas islâmicos fazem com crianças?”. “Israel matou centenas de crianças palestinas!”, respondeu uma jovem.

Rubem Daniel Duek (esquerda) e Yuri Haasz (direita) discutem sobre a ocupação militar em Gaza

Rubem Daniel Duek (esquerda) e Yuri Haasz (direita) discutem sobre a ocupação militar em Gaza

Já do outro lado da rua o diretor da Fisesp justificou a mortes de crianças à imprensa. “Os caras são tão covardes que eles colocam munição nas áreas residenciais. Israel acabou atingindo escolas das Nações Unidas, porque os caras se colocam a 50 metros dos prédios e disparam foguetes”. Em resposta Yuri disse que a central militar de Israel fica em Tel-Aviv, uma das regiões mais povoadas do pais. Um bom dia de Rubem e fim de papo.

Nessas discussões sempre surge a palavra terrorismo. Yuri lembra que a forma de resistência palestina não é diferente de várias outras que foram consideradas legítimas. “Eles estão reproduzindo um estilo de guerrilha que acontece nessas condições. Quando o povo judeu sofria com ocupação inglesa muitas dessas táticas eram usadas”.

“O Hamas é uma organização que é chamada no ocidente de terrorista mas não faz nada diferente do que Israel fazia quando lutava por independência. O Hamas, com todos os seus problemas, age como um movimento de libertação nacional”, conclui Yuri.

"a violência que vem da parte dos palestinos é uma resposta a uma agressão inicial", afirma Yuri Haasz

“a violência que vem da parte dos palestinos é uma resposta a uma agressão inicial”, afirma Yuri Haasz

Apoiado em dados da ONG Breaking The Silence, que divulga abusos do exército de Israel, o manifestante afirmou que, seguindo ordens, os soldados que invadem casas em regiões ocupadas e usam um dos moradores como escudo. Logo no início da manifestação alguém chamou a PM de dentro do prédio do consulado. Dois policiais acompanharam próximos mas, não interferiram.

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3 responses to “Judeus paulistanos se manifestam contra política de Israel

  1. Concordo com o Eric em relação a preocupação em preservar vidas de ambos lados.
    O povo Palestino sofre imensuravelmente por intermédio de ações desumanas de dois lados: Israel e Hamas.
    O Hamas, aliás, não representa nem metade das pessoas que lá vivem. O equívoco maior está exatamente nisso: imaginar que a Palestina é um país convenente ao terrorismo quando na verdade, é mais um país oprimido e vitimado por ele, e disso Israel sabe.
    E como comparar ações entre um país desenvolvido (economicamente, tecnologicamente e belicamente falando: Israel) e um país empobrecido consequentemente por conta de anos de conflitos intencionais (Palestina)? se a guerra é realmente entre um país de grande potência, contra uma única célula terrorista, por qual razão morrem tantos civis palestinos?.
    E se existe algo pior do que assistir tamanha covardia, é ler pessoas falando sobre o “direito de defender-se”… penso que se opinassem sobre “todos tem direito de sobreviver”, sobraria um pouco mais de humanidade em certos assuntos para discutir-se.
    Acredito também que, assim como muitos Palestinos carregam consigo o estigma de serem terroristas, muitos israelenses carregam o estigma do antissemitismo, que também é uma forma visível da extrema ignorância que nos deparamos por aí… então, porque tudo isso? pra que carregar por aí um orgulho estúpido de soberania sobre outro povo que também sofre das mesmas consequências? e o pior, porque ter que concordar com isso?

  2. Pingback: Judeus paulistanos se manifestam contra a política de Israel·

  3. Antes de deixar o meu comentário gostaria de dizer que sou a favor da vida dos dois lados e que também acho uma desgraça o que acontece em Gaza.
    Em primeiro lugar gostaria de deixar claro que o Hamas é um grupo terrorista. Para mim, NUNCA existe justificativa para o terrorismo. Apontar mísseis diretamente para civis israelenses e se esconder atrás de civis palestinos é um duplo crime que mostra a natureza desse grupo (Sami Abu Zuhri, o porta voz do Hamas, admitiu a utilização de escudos humanos em vídeo). Por isso existe uma grande diferença desse terrorismo e das táticas usadas pelos judeus contra o governo inglês, já que os objetivos únicos não eram a morte de civis. E mesmo se fossem não se pode justificar uma ação errada por outra, isso é simplesmente ridículo. Como já disse antes, não existe justificativa para o terrorismo.
    Gostaria de deixar claro que a grande maioria da comunidade judaica é completamente contra a morte de civis palestinos, contra o Hamas, contra a guerra. Da mesma forma que é a favor de Israel e do seu direito de se defender de túneis e mísseis lançados por terroristas. Infelizmente em guerras pessoas inocentes morrem, isso é horrível. Porém qual outra postura um país sendo atacado poderia tomar? Não pergunto ironicamente. O fato de que Israel entrou por terra em Gaza mostra a sua preocupação com os civis palestinos, com certeza seria muito mais fácil e o exercito israelense perderia muito menos vidas bombardeando todas as áreas civis que o Hamas ocupa, mas preferiu uma ofensiva por terra mais precisa. Além disso, o exercito israelense informa a zona que será atacada com panfletos e por telefonia e manda um míssil não explosivo de 3 a 5 minutos antes do ataque visando a evacuação completa do local para não atingir civis.
    O intuito deste comentário não é começar uma guerra de datas e de acontecimentos históricos, é só mostrar ao leitor que existe o outro lado. Também quero deixar claro que sou contra extremistas dos dois lados já que essas posições dificultam o processo de paz e incitam o ódio.
    Obs: A central militar de Israel não é em Tel-Aviv.

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